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  Quinta-feira, 09 de setembro de 2010

Cachaça: uma das primeiras bebidas globalizadas do mundo


O açúcar, que se originou na Polinésia, foi introduzido na Europa pelos povos árabes, levado as Américas por Colombo, onde foi cultivado por povos africanos. O rum e a cachaça, destilados dos produtos residuais do açúcar, acabaram sendo consumidos tanto por colonos, quanto pelos marinheiros europeus de passagem pelas Américas. Isso explica, em partes, por que os destilados do açúcar teriam sido as primeiras bebidas globalizadas do mundo, há 500 anos. Mas a globalização dos destilados foi mais longe.

No momento em que o rum e a cachaça passaram a ser comercializados, com certa parcimônia, dos dois lados do Atlântico, foram os Estados Unidos que deram impulso para que essas bebidas se tornassem super populares ao redor do planeta.

Em seu livro "História do Mundo em Seis Copos", o historiador Tom Standage diz que o plano principal da Inglaterra ao estabelecer colônias na América do Norte, no final do século XVI, partia da suposição de que ali se podia produzir azeitonas, frutas e vinhos, que a Inglaterra comprava da região mediterrânea, reduzindo assim a dependência do país em relação à França, Espanha e Portugal.

A realidade acabou se mostrando diferente. O clima dos Estados Unidos era mais rigoroso do que se previa. Isso mostrou que culturas de vinho, azeitonas e açúcar não iam prosperar por ali. Tom Standage diz que em meio a tantas dificuldades, como doenças e escassez de comida, assegurar uma fonte de álcool assumiu grande importância no país. Em seu livro ele diz que quando dois dos três navios que tinham trazido os primeiros colonizadores permanentes para a Virgínia foram embora para a Inglaterra, Thomas Studly, um dos habitantes da nova colônia de Jamestown, queixou-se de que não havia restado na taverna local nem cerveja, nem diversão.

Pouco mais tarde, navios que partiam dos portos brasileiros e caribenhos passaram a aportar na costa americana e os primeiros colonos do país perceberam que eles traziam as fontes de diversão que procuravam: rum e cachaça, que eram bem mais baratos dos que o vinho francês, que vez ou outra chegava nos navios que faziam comércio entre Europa e Estados Unidos.

Rapidamente o rum e a cachaça estabeleciam-se como as bebidas preferidas dos norte-americanos. Aliviava o sofrimento, pois forneciam aquecimento nos invernos rigorosos do lugar, e reduziam a dependência dos colonos em relação à importação de produtos europeus, sempre muito caros.

Bebida pura pelos pobres e na forma de ponche – com açúcar, limão e especiarias - pelos ricos, a cachaça passou a ser consumida quando se fechava contratos, quando se vendia uma fazenda, quando se comprava mercadorias.

A partir do século XVII, os destilados americanos se tornaram base de uma indústria rica e poderosa, a medida que os comerciantes da Nova Inglaterra passaram a importar o melaço da cana dos países vizinhos e a fazer eles mesmos sua própria destilação. Em pouco tempo, a bebida tornou-se a base mais lucrativa dos Estados Unidos, que passaram a exportá-la, como grande novidade, para a Europa, que a recebeu com grande novidade, e para a África. Era a primeira bebida globalizada que passava a fazer fama entre os países ocidentais.

Na próxima semana
A produção nacional, as fazendas de cachaças artesanais e como era feita a fabricação segundo Câmara Cascudo e algumas de suas receitas.


Veja também o primeiro capítulo: Uma Bebida que fez História.

Crédito: Informe publicitário
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